terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Balada do Amor através das Idades - Poema

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Dezembro, férias, verão quase chegando... É tempo de celebrar a vida e o amor.

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigámos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Clarice Lispector

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Se Clarice Lispector estivesse viva, hoje iria completar 98 anos de idade. Ela  foi uma das mais destacadas escritoras da terceira fase do modernismo brasileiro, chamada de "Geração de 45".

Recebeu diversos prêmios dentre eles o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal e o Prêmio Graça Aranha.

"Clarice Lispector é considerada, junto com Guimarães Rosa,  a grande escritora brasileira da segunda metade do século XX, graças ao seu estilo, entre a poesia e a prosa. Uma marca que enchia os detalhes cotidianos de espiritualidade e que se caracterizava por utilizar a primeira pessoa na narrativa. Não se parecia com ninguém, e sua visão não recorda nenhum movimento, embora pertença à terceira fase do modernismo brasileiro, da chamada Geração de 45.

Chaya Pinkhasovna Lispector foi o nome que recebeu ao nascer, em 10 de dezembro de 1920, na localidade ucraniana de Chetchelnik. De origem judaica, foi a terceira filha de Pinkhas e Mania. Seu nascimento motivou uma pausa no caminho de fuga da família numa época de fome, caos e perseguição racial. Seu avô foi assassinado, sua mãe foi estuprada, e seu pai foi exilado, sem dinheiro, para o outro lado do mundo.

No ano seguinte ao nascimento de Clarice, toda a família fugiu dos pogroms antissemitas, primeiro para a Moldávia e Romênia, e mais tarde, em 1922, para Maceió, onde alguns parentes já estavam. Ao chegar ao Brasil, todos adotaram nomes portugueses: Pinkhas se tornou Pedro, Mania virou Marieta, e Chaya recebeu seu novo nome de Clarice.

A mãe dela, que tinha sido estuprada durante a Primeira Guerra Mundial e contraíra sífilis, morreu 10 anos depois. Havia no Leste Europeu  a crença popular de que uma gravidez poderia curar uma mulher afetada por essa doença venérea, mas não foi o caso. Clarice nasceu desse afã de salvá-la, e desde muito pequena soube da sua origem, daí o sentimento de culpa ter marcado também sua vida e sua criatividade como escritora.

No Brasil, seu pai, um homem inteligente e liberal, sobrevivia vendendo roupas e mal conseguia sustentar a família. Mas ele estava decidido a mostrar ao mundo quem eram suas filhas. Quando Clarice tinha cinco anos, a família se mudou para o Recife, e aos 10 foi para o Rio. Graças a esse empenho do chefe da família, Clarice continuou sua educação até muito além do que era habitual mesmo para as meninas economicamente mais favorecidas, entrando num dos redutos da elite, a Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. Ali, na escola de leis, não havia judeus, e só três mulheres."(elpais)

domingo, 9 de dezembro de 2018

A Mata Negra

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 Domingão com muito sol, brisa suave, pássaros cantando, perfeito para relaxar. Afinal, é dezembro e as férias já chegaram para os alunos estudiosos, responsáveis e nada mais justo que um bom descanso.

Hoje, minha indicação é um filme brasuca no estilo trash... Sei que brasileiro não gosta de filme feito por brasileiro, mas os nossos trash são tão bons quanto os americanos. E tem sempre muito sangue como manda um filme de terror; o diretor mais festejado da atualidade se chama Rodrigo Aragão. 

Vocês não conhecê-lo, entretanto, os cinéfilos do trash nacional e os participantes  do Festival de Cannes de 2018 tiveram o prazer que assistir "A Mata Negra" foi exibido para a plateia por 10(dez) minutos. 

Por ocasião da apresentação Rodrigo disse que "Meus filmes têm uma aceitação muito melhor no exterior. Acredito que é exatamente por conta desse tempero - o tempero brasileiro é único e original. O mercado internacional do gênero terror está ávido por coisas diferentes e, nesse sentido, a América Latina tem muito a oferecer." Então, que tal comprar um ingresso e ir prestigiar o trash nacional que está cada vez melhor?

"Rodrigo Aragão é o mais conhecido diretor brasileiro do cinema de terror atual. Suas obras fogem do lugar comum e revisitam mestres do gênero como Ruggero Deodato, George Romero e Darío Argento. Se isso não for suficiente pra você, que tal galgar seu espaço dia após dia como produtor e diretor sempre com pouca grana pra fazer filme de horror ‘gore’ ambientado no interior do Espírito Santo? Só o fato de conseguir captação de verba por edital sem ser filme de gente que mora na favela com mensagem bonita no fim já deixa claro que seus filmes entregam um algo a mais para os fãs. E isso se comprova mais uma vez com seu novo A Mata Negra.

Sempre misturando elementos do folclore nacional com terror, o capixaba Rodrigo Aragão entrega uma história onde veremos elementos de bruxaria, intolerância religiosa, possessões demoníacas e claro, sangue, muito sangue. A história é sobre Clara (Carol Aragão, filha do diretor), uma menina que encontra o poder da magia negra no Livro Perdido de Cipriano na mata em que mora. Tudo é tranquilo até ela se apaixonar por um rapaz que morre após um assalto. Ela resolve então, utilizar o livro para revivê-lo e liberta o mal na região.

A carreira do cineasta passa por pérolas do horror brasileiro como “Mangue Negro” (2008), “A Noite do Chupacabras” (2011), “Mar Negro” (2014), “As Fábulas Negras” (2015) e sempre foi notável o baixo orçamento dos filmes com muitas cenas recheadas a litros de ‘sangue ketchup’ e feto de ‘frango zumbi’. Mas o que tem de errado nisso? Exatamente. Nada! Porque é exatamente isto que transformou o filme de horror brasileiro num show à parte e Rodrigo Aragão num gênio entre os amantes do cinema fantástico. Aliás, podemos dizer que neste quinto filme dele, após todas as loucuras boas dos trabalhos citados, as criaturas deram uma aperfeiçoada, estão mais assustadoras e causam asco e terror.

É evidente, no entanto, que este seja o filme menos trash de Aragão e o mais comercial. Até porque teve estreia no XIV Fantaspoa, o maior festival anual de cinema fantástico da América Latina, que ocorreu em Porto Alegre no último mês de maio, além de ter tido um trecho selecionado com duração de 10 minutos exibido no Marché du Film do Festival de Cannes 2018, um dos maiores pontos de encontro para profissionais do ramo audiovisual.

A Mata Negra tem um roteiro simples e denso, ao mesmo tempo com diversos elementos aqui e ali, mas bem honesto no que se propõe a fazer. Temos, desde a dor da perda protagonizada por Clara, o renascimento demoníaco, uma legião de fanáticos religiosos liderados pelo pastor Francisco das Graças (papel do ‘Charles Bronson brasileiro’, Jackson Antunes), elementos mágicos e abertura dos portões do inferno. Tudo isso entremeado por muita crítica social. É ou não é filme de Rodrigo Aragão? Ou como ele mesmo diz: “que por uma hora e meia nos preocupemos com monstros mais bonitos do que os da vida real”. E como são bonitos esses demônios."

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Supernatural: Eterna Zueira II

Hoje, começa a CCXP e vai até 9 de dezembro em S.Paulo. A Warner Channel mais uma vez traz experiências interativas e imersivas para os fãs que quiserem se sentir dentro do universo das suas séries favoritas.
 

A Warner Channel não poderia deixar de lado uma experiência dedicada a Supernatural, que possui no Brasil sua maior comunidade de fãs da série do mundo. A marca vai proporcionar ao público uma aventura com os irmãos Winchester na Garagem do Demônio, onde um Impala 67, igual ao do seriado, levará fãs a um tour por uma cidade fantasma.
 

Eu como hunter assumida gostaria de alguém do elenco principal tivesse vindo, mas um tour num Impala é melhor do que nada.

A notícia que bombou na semana passada foi " O ator Jeffrey Dean Morgan, que interpretou um dos personagens   mais queridos dos fãs em Supernatural, o personagem John Winchester, o pai dos protagonistas, tem interesse em retornar a viver o personagem na famosa série. 

Via Twitter, o ator revelou que tem interesse em retornar ao papel na série da CW durante uma resposta a um fã. 
Você consideraria interpretar John de novo se os fãs pedissem?
 
_ Claro. Se fosse a história correta. Tudo bem pessoal... Vou indo! Fiquem bem... e tratem uns aos outros da maneira que gostariam de ser tratados"
 
Há mais de dez anos de Jeffrey Dean Morgan interpretou o John Winchester e nunca mais os hunters tiveram o prazer de vê-lo na série. Toda vez que ele diz que pode retornar o mundo aguarda ansioso, isso vai acontecer em algum momento para nossa alegria. 

No ep. 14x7, nos emocionamos com o Jack dirigindo a Baby e ficamos sabendo como Jensen Ackles deixou isso acontecer. "Antes de eu ler a cena, nosso coordenador de dublês bateu na minha porta e pediu se eu tinha lido o episódio, e eu disse, 'Não, ainda estou dois episódios de chegar nele'. E ele disse, 'Bem, Alex vai dirigir'. E eu fiquei, 'O que?'", recordou o ator. “

O ator é bastante cuidadoso com o Impala dos Winchester. Por conta disso, Jensen Ackles decidiu dar aulas de direção para o jovem ator antes da dupla gravar a cena. A primeira coisa que perguntei era que tipo de carro ele estava dirigindo. Porque com certeza não seria um carro como o que ele já dirigiu. Então eu disse, 'Eu quero dar uma volta com você, e ficando de carona'. Então nós fomos, foi super seguro e parecia uma aula de direção. 'Faça a esquerda aqui, mantenha as mãos no volante'. Mas, mais como um pai ensinando o filho. Foi super ótimo. Ele foi muito bem", destacou o ator".  

A 14ª temporada está muito top e hoje irá acontecer o 14x8 "Bizâncio", onde grandes surpresas aguardam os Winchesters e o anjo Castiel. Enquanto isso, vamos apreciar as fotos das zueiras feita durante a comemoração do ep. 300º no mês passado.




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Operação Final - Filme

A netflix está com novidades e o filme Operação Final é sobre o "sequestro" do tenente-coronel nazista Adolf Eichmann que vivia tranquilamente na Argentina. Ele era um dos principais organizadores do Holocausto e foi capturado pelos agentes do Mossad em 11 de maio de 1960 e foi enforcado em junho de 1962.

"Operação Final se concentra na busca por Adolf Eichmann, oficial nazista que conseguiu fugir para a Argentina ao fim da guerra. Enquanto os países aliados que derrotaram Hitler tratavam de suas próprias guerras internas (conhecida como Guerra Fria), Israel nunca esqueceu o que houve com seu povo. Por isso, nunca deixou de caçar Eichmann, e o encontrou vivendo tranquilamente na América do Sul.

Essa operação de captura do oficial é mostrada no filme, e precisou ser milimetricamente calculada para que não houvesse riscos dele fugir novamente.

Para retratar o homem que ajudou a exterminar centenas de pessoas na Alemanha nazista, foi convocado o grande Ben Kingsley. O ator, dono de um Oscar de Melhor Ator por sua atuação em “Gandhi”, é mestre em mergulhar nos personagens, sejam eles baseado em pessoas reais ou não. Aqui não foi diferente: seu talento fica evidente em não só capturar os tiques pessoais de Eichmann, seu tom de voz e seu sotaque, mas também no trabalho de demonstrar o psicológico do homem. O alemão nunca expressou remorso pelo que fez, ao contrário: tinha até mesmo um certo orgulho. Ben Kingsley capta essas nuances, o que é possível ver até mesmo em momentos mais tensos da narrativa.

Do outro lado, está Oscar Isaac. Conhecido agora do grande público por seu papel na nova trilogia “Star Wars”, Isaac está perfeito como o agente secreto israelense Peter Malkin, que é convocado para capturar Eichmann. É um grande trabalho de atuação: Malkin é um homem tenso, que sente o peso da responsabilidade para com seu país e seu povo, que sabe não poder falhar. Oscar Isaac imprime isso muito bem em sua caracterização, com uma expressão cansada e o corpo levemente arqueado nos momentos de maior tensão."

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Liceu Cuiabano - 139 Anos


Hoje, 3 de dezembro, o Liceu Cuiabano completa 139 anos e desde 2000, ano que em tomei posse como professora efetiva, sempre comemoramos sua importância para Cuiabá e Mato Grosso. 

E irei relembrar alguns momentos de como era o Liceu do meu tempo, justificando que já fiz um post igual em anos anteriores.
 
Durante os anos em que fui aluna, nos anos de 1973 a 1977 eu cursei da 5ª a 8ª série e como mandava a tradição fui matriculada na Escola Técnica, IFMT, assim que terminei o ano aqui. E assim como ainda hoje, o Estadual era bastante disputado pelas famílias cuiabanas.

Algumas pessoas gostam de dizer com um certo ar de desdém “o Liceu era uma escola de elite”. É claro que era, pois quando começaram os debates em 1878 na Assembleia Legislativa para tornar o ensino obrigatório, ainda não havia acontecido a Abolição da Escravidão. Os fazendeiros, pecuaristas contratavam um professor- padre para ensinar seus filhos, então a minoria branca e rica é que iria seguir os passos de seus pais.

O Liceu Cuiabano foi criado pela Lei provincial nº 536 de 3 de dezembro de 1879. Somente em 1880 é que ficou pronto o Regulamento Orgânico da Instrução Pública em Mato Grosso. Ficou estabelecido que o ensino primário seria obrigatório e que seria criado o primeiro estabelecimento público de ensino secundário da Província.
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Em 7 de março de 1880, numa solenidade com 4 bandas de músicas e muitos discursos, o Liceu Cuiabano foi instalado no prédio onde hoje funciona o “Ganha Tempo” na praça Marquês de Aracaty, hoje Ipiranga.

No Liceu havia dois cursos secundários: o de Ciências e Letras e o Curso Normal; o primeiro era chamado de preparatório para o Curso Superior/Faculdade e o segundo para formação de professoras primárias.

O curso era gratuito, com isso oportunizando a alunos de várias classes sociais a um estudo de boa qualidade, permitindo até mesmo, acesso ao curso superior. O cuiabano poderia ir cursar o Superior em S.Paulo, Salvador e Recife, mas tinha um apreço pelo Rio de Janeiro. 

Algumas pessoas gostam de dizer com um certo ar de desdém “o Liceu era uma escola de elite”. É claro que era, pois quando começaram as discussões em 1878 na Assembleia Legislativa para tornar o ensino obrigatório, ainda não havia acontecido a Abolição da Escravidão. Os fazendeiros, pecuaristas contratavam um professor- padre para ensinar seus filhos, então a minoria branca e rica é que iria seguir os passos de seus pais.
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O Liceu funcionou por alguns meses do Séc. XIX, no prédio onde foi o prédio da Câmara e posteriormente os Correios.

Este prédio foi inaugurado em 4 de outubro de 1944; é importante lembrar que o Presidente  da  República era Getúlio Vargas e o interventor era Júlio Muller, esposo da professora Maria de Arruda Muller. 


Algumas pessoas gostam de dizer com um certo ar de desdém “o Liceu era uma escola de elite”. É claro que era, pois quando começaram as discussões em 1878 na Assembleia Legislativa para tornar o ensino obrigatório, ainda não havia acontecido a Abolição da Escravidão. Os fazendeiros, pecuaristas contratavam um professor- padre para ensinar seus filhos, então a minoria branca e rica é que iria seguir os passos de seus pais.
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O Brasil estava sob o Estado Novo, 1937 a 1945, ou ditadura Varguista. O engenheiro contratado tinha apenas 24 anos e seu nome era Cássio Veiga de Sá, ele escreveu um livro "Memórias de um Cuiabano Honorário: 1939-1945, ele foi o responsável pelas Obras Oficiais. Quando terminou havia se apaixonado por Cuiabá e por uma cuiabana e nunca mais voltou para o Rio de Janeiro.

No Liceu de meu tempo  as férias de julho duravam um mês e o ano letivo terminava no final  de novembro; assim ficávamos de dezembro a fevereiro de férias. 
 
O diretor do Colégio Estadual, esse era o nome do Liceu, era o profº Rafael Rueda; um homem que metia medo na criançada. Mais brava que ele era a inspetora Dona Benedita; uma  senhora  que  falava baixo e tinha um olhar penetrante. 

Nosso uniforme era blusa branca, com um bolso onde aparecia o nome da escola, saia azul com duas pregas na frente e duas atrás e sapato colegial preto com meias brancas. Eu e minhas irmãs só tínhamos um uniforme e a mãe olhava toda vez que voltávamos, pois a única sujeira permitida era na gola da blusa.
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 Nós não  tínhamos  todos os livros como nossos alunos possuem hoje, apenas o de francês tínhamos que comprar. As professoras, a maioria era mulher, passavam o "ponto" no quadro negro e nós tínhamos que decorar para as provas.

A caderneta de presença era obrigatória: na entrada a inspetora carimbava a presença e na saída também. E não era permitido entrar sem ela na escola. No último ano o bom aluno recebia um Atestado de  Conduta  de bom comportamento; eu ainda tenho o meu.
 
Eu nunca fui na diretoria, isso era para crianças mal-educadas e desordeiras; os briguentos eram expulsos e a suspensão de quinze dias. Nos corredores limpos e encerrados, a gente tinha que andar e não correr desesperados como nossos alunos fazem hoje.

No recreio a gente ficava no pátio e o lanche era trazido de casa; não me lembro de ter merenda e se tinha eu não comia, pois nós éramos ensinados a  não  comer  nada  fora de casa. As crianças mais ricas compravam na cantina, que já estava aqui...

Em sala de aula, o silêncio era absoluto e ninguém dormia ou faltava com respeito como acontece hoje. Quando alguém entrava na sala, todos levantávamos e dizia “boa tarde ou bom dia” em uníssono.

Todos podíamos ir beber água ou no banheiro, mas sempre um de cada vez. A inspetora ficava parada na porta e não podíamos demorar. E havia o medo da "loura" do banheiro ou da "Maria algodão", afinal não existe escola sem seus fantasmas.
  
Quando terminei a 8ª série, a formatura aconteceu no anfiteatro e onde todas as famílias assistiam a entrega dos certificados enrolados , detalhe não era um canudo azul sem nada dentro, e o nosso Histórico Escolar  vinha junto com o Atestado de Conduta.
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 No Liceu do meu tempo só tinha até 8ª série, entretanto, no Liceu do Ano 2.000 como professora efetiva, tive o prazer de ministrar aulas para alunos que são meus colegas atualmente como o  profº Marioney, profª  Vanessa  Marques e  profª Thaisa Laura. Conheci colegas hoje grande maioria aposentados e os que irão se aposentar em breve; como o profº Alceu Trentin e o profºJoerson.


Aos 139 anos, eu espero que nossas tradições de um bom ensino continue ainda por muito tempo. Que os alunos saibam valorizar nosso prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e que continuem essa História geração a geração.












domingo, 2 de dezembro de 2018

Os Livros de Andrew Solomon sobre a Depressão

O domingão de dezembro amanheceu chuvoso e mais parece uma chuva de outono do que de primavera. Os pássaros cantam alegremente e um  vento suave balança a copa das árvores. 

Como sempre eu estava lendo o Jornal A Gazeta e deparei-me com a indicação do livro "Um Crime da Solidão  e nestes artigos que foram reunidos em livro pela primeira vez, numa edição exclusiva para o Brasil, Solomon reflete sobre casos recentes de suicídio de personalidades, como Anthony Bourdain, Robin Williams e Kate Spade, assim como de literatos, entre eles Sylvia Plath e David Foster Wallace, e ainda Virginia Woolf, que “tentou salvar-se pela arte” mas que sofria de um mal clínico intolerável e escolheu a água como um meio de morrer. Com sua narrativa fluida e seu olhar sempre empático, ele relata e analisa uma série de casos de pessoas que acabaram partindo antes da hora.".
 É interessante conhecer outros livros dele, principalmente para quem tem problemas com a depressão. E como todos sabemos é uma doença que vem atingindo cada vez os adolescentes e jovens e o resultado final é terrível ou seja, o suicídio. Ler é bom, mas melhor ainda é começar um tratamento com pessoas especialistas no assunto.

"Ir ao fundo do poço é uma expressão leve para descrever a experiência de vida do autor Andrew Solomon. Ele desceu mesmo foi às profundezas do inferno para vencer uma das síndromes que mais aflige a humanidade nos dias de hoje: a depressão. 

Fruto de sua dolorosa, dramática e vitoriosa trajetória durante a doença, ´O Demônio do Meio-Dia´ é um livro intensamente envolvente, sagaz, construtivo e humano. ´O Demônio do Meio-Dia´, no entanto, não se restringe a um simples relato do autor sobre sua relação com a doença. Muito pelo contrário. 

Inspirado pelo que sentiu na própria pele, Andrew faz uma investigação ampla e minuciosa, o mais abrangente estudo sobre a depressão publicado nos últimos tempos. Englobando as questões mais amplas que cercam tal assunto, Solomon revela as implicações históricas, sociais, biológicas, químicas e médicas dessa terrível doença. 

Conduz-nos por pavilhões de hospitais psiquiátricos onde alguns de seus pesquisados estão aprisionados há décadas; por laboratórios onde pesquisadores de ponta estão elaborando novos modos de visualizar o cérebro; e nos leva até os pobres do campo e da cidade, também afligidos pelo fardo do mal. 

O autor analisa, ainda, as medicações e os coquetéis farmacêuticos de hoje, e investiga medidas extremas, inclusive eletrochoque e cirurgia cerebral. Talvez um dos aspectos mais fascinantes da obra de Solomon seja revelar o papel vital da vontade e do amor no processo de recuperação da doença. 

Para ele, examinar a depressão e as emoções que a rodeiam é examinar o que é possuir um eu,o que é,enfim, ser humano. Envolvente, perspicaz, construtivo , profundamente inteligente, ´O Demônio do Meio-Dia´ é um livro que pode mudar mentes e, quem sabe, até mesmo salvar vidas."