sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Casa de Rolim de Moura na Praça da Mandioca

A História de Mato Grosso é fascinante e quando passamos a conhecê-la,  o preconceito em estudá-la deixa de existir. Então, atendendo a pedidos vamos postar sobre um casarão na Praça da Mandioca, que a maioria da população não sabe que era a residência do Vice-rei do Brasil, D. Antônio Rolim de Moura Tavares, o Conde de Azambuja.

A Praça da Mandioca é o metro quadrado mais amado pela cuiabania, mas antes de frequentar apenas durante à noite, que tal visitar durante o dia?

"Muitos frequentadores nem sabem, mas o lugar onde hoje está de pé um dos principais botecos da Praça da Mandioca, uma das mais antigas de Cuiabá, cujo nome primitivo era Largo da Mandioca, já abrigou o vice-rei do Brasil, primeiro governador da capitania de Mato Grosso e também Conde de Azambuja, dom Antonio Rolim de Moura Tavares.

Corria o século 18. Naqueles tempos, havia o Canto do Sebo, escolhido para receber o antigo palácio dos capitães generais - um casarão colonial construído em 1726. Esse nome era derivado da farta atividade de matança animal ocorrida cotidianamente ali, pois aquela parte sempre foi região central de Cuiabá, com movimentação intensa de pessoas e consequente venda de produtos, entre eles, carne, de acordo com a historiadora Neila Barreto. “Além da carne, as peles eram estendidas no local”. O mau cheiro daí advindo era identificado como sendo da gordura acumulada dos animais mortos no calçamento antigo de pedra. Não eram só os pés que escorregavam ali, as vias nasais também dançavam à percepção das notas do forte odor.

Mais ou menos como hoje, boa parte da elite -- formada essencialmente por portugueses ou filhos destes -- dessa época se encontrava no Largo da Mandioca, em frente ao palácio. Já a partir de 1790, todas as festas importantes do período eram realizadas ali, lembra a historiadora.
 
A passagem do vice-rei Rolim de Moura Tavares, o Conde de Azambuja, quando foi fundar Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuyabá, bem como suas hospedagens por ali tornaram o local atraente para todos os nobres da região. Esse era o motivo do comércio ser farto e praticado à larga. A passagem do século pouco alterou essa movimentação, pois ali foi instalado também o ponto final da linha terminal de bonde, movido a burros, da Companhia Progresso, já no ano de 1891. Funcionou até 1918.

Por esses tempos, o nome do Largo da Mandioca já era Praça Conde de Azambuja, em homenagem ao português, morto décadas antes, em 1782, e que, além de vice-rei, também fora o primeiro governador geral de Mato Grosso, quando este foi elevado ao grau de capitania.

Azambuja vinha do Rio de Janeiro, numa viagem de cerca de 600 léguas. Usou a Praça da Mandioca como ponto de descanso para seguir viagem até Vila Bela da Santíssima. Teria que andar mais 500 km. Foi Azambuja quem também fundou Cáceres, cidade localizada a pouco mais de 200 quilômetros da capital, no oeste do Estado, às margens do rio Paraguai.

A arquitetura das construções históricas da praça tinham motivo prático, diz a historiadora -- garantir a segurança de seus moradores. “Eram casas feitas de barro com capim cortado para impedir os ataques dos índios paiaguás e também a invasão de animais silvestres. A fachada é rebaixada, com o pé direito baixo, também para não ter problemas de invasões”, explicou.

Hoje, na esquina da Praça com a rua Pedro Celestino, o antigo palácio dos capitães generais abriga uma casa cuja família toca uma marmitaria durante o dia e o bar Dom Luiz à noite. “É um lugar por onde passou boa parte da história de Cuiabá. Deve ser preservado, inclusive o nome. Volta e meia aparece gente querendo mudar o nome de lá. Não concordo com isso”, afirma a historiadora.
 
Os anos de glamour e festa foram retomados aos pedaços, em diversos períodos da praça em frente ao casarão histórico. Primeiro entre os anos 1950 e 1960, quando era frequentada por outro de seus moradores ilustres, o advogado e poeta Silva Freire; depois, de meados dos anos 1970 até 1980, quando os jornalistas daquele tempo gostavam de ali se reunir.

Entre a metade dos anos 1990 até fins dos anos 2000, entretanto, o lugar foi ficando um tanto esquecido, diversas casas foram abandonadas, até que eventos culturais voltaram a acontecer, sempre na frente da casa do vice-rei, até, enfim, voltar a ser o local lotado dos finais de semana, além de bastante utilizado de terça a quinta por boêmios de todas as idades."(www.rdnews.com.br)

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